16 novembro, 2012

A casa


A porta que se tinha aberto fechou mesmo antes de deixar abrir as janelas. O vento que com ela trouxe apagou as velas ainda acesas nesta velha casa à espera de ser habitada e recuperada por alguém capaz.
E assim se foi. Levou com ele todas as recordações e os momentos guardados entre aquelas paredes que ainda iam dando vida à mesma. Com ele teve a força e a capacidade de levar o que a alimentava,
 o que a ía fazendo recuperar.
A casa que tinha a esperança de renascer, acabou morrendo na praia sem retorno. Uma hipótese que agarrou, acabando por ver dissipar no tempo quando a julgava em parte sua.
E tudo o que à sua volta ía ganhando vida com aquela esperança existente, morreu numa arrogante passagem que suavemente foi deixando o seu rasto, levando o que lhe tinha dado vida.
Estando já tudo a dissipar-se em torno dela e ela a enfraquecer com a força do vento que por ela entrou e tudo mudou, ela desiste. Já sem força para fazer frente aquela inocente brisa que levou brutalmente e planeadamente o que lhe ía pertencendo, fecha de vez a sua porta com um cuidado alterado devido à fragilidade existente em todas as suas estruturas prestes a ruir.
As árvores à sua volta acabam por perder as folhas, deixando-as cair lentamente no solo para que se deixem ir com a brisa existente. Já nada as prende, não há motivo para que lá permaneçam agarradas quando tudo está indo. A dita brisa continua fazendo o seu papel, acabando por levar o pouco que restava. Aquelas inocentes folhas que tendiam para ficar, foram levadas numa última e breve passagem da qual nada restou.
E assim, a casa velha e abandonada que ainda acreditou numa cuidado recuperação, acabou por estagnar no seu estado degradado.

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