14 abril, 2014

A mente

Aqui sentada no baloiço de jardim olhando o céu. A cabeça vagueia como se tivesse asas para voar, não vê limites nem tão pouco racionalidade. O sol brilha e esquenta a pele, a brisa corre e faz lembrar os dias quentes de verão estando nós em plena Primavera. No papel a caneta desenha pensamentos vagos como se este quisesse falar mas como se achasse este o caminho correto. A mente se questiona "Como pode o tempo correr a sete pés ? Tanta coisa muda, tanta coisa leva e transforma.". Ainda ontem aqui corria e me enchia de terra colhendo flores, enquanto hoje na paz do tempo que vai passando sem questionar se o pode fazer, escrevo. Calma e sossegadamente escrevo sem pensar. Porque a cabeça complica o que o coração não gosta de explicar. Por dentro das veias corre uma sensação de liberdade e calma. Uma calma que tranquiliza. O que ontem era impossível, hoje já está alcançável. "Não tenhamos pressa mas não percamos tempo", oh palavras sábias ... Esse maldito tempo que nos escapa por entre os dedos, nos modifica e nos altera. Ontem me via dependente de tudo, hoje me vejo dependente de mim. Minhas opções, minhas decisões. Meus rumos sou eu que os escolho e o que antes parecia nem existir, hoje é necessário ter em conta. A caneta continua a percorrer as linhas deste papel e o tempo vai passando. A cabeça tão pouco cai em si e continua a voar. E, por momentos, a caneta pára, os olhos alcançam o céu azul e aquele ar fresco ... Ai aquele ar fresco que num ultimo respirar profundo faz a calma ser dona de si. O corpo pesado e agora deitado neste baloiço sente a leve brisa que passa entre as árvores e os raios quentes de sol que teimam em agredir esta suave pele. Cabeça paraste tu de vaguear ? Não ... Continuaste tu a questionar. O que quero hoje ser amanhã, quererei depois ser no dia seguinte ? Tanta questão leva a tanta confusão, mas mesmo estando o corpo num estado de calma e serenidade a mente parece não ter tempo a perder e não tenciona parar. Respiremos. Um suave respirar profundo. Não te questiones tanto. Não compliques este leve momento. Se o tempo teima em passar, deixa que passe, mas tu, mente, tranquiliza-te. Vive com a calma num suave caminhar e vive cada coisa de cada vez, saboreia o momento que te é proporcionado. 

2 comentários:

  1. Este é um daqueles textos que dá vontade de escrever.
    Está simples e perfeito.
    Beijinho*

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