29 maio, 2014
Noite
Não sei se serei da noite ou do dia. Por vezes de noite me dissipo do mundo voando pelos sonhos que vagueiam minha cabeça, como por vezes me mantenho no sossego dela observando o silêncio que a emerge. Tenho alturas de dia em que sou viva e todas as minhas sensações perduram à flor da pele, como tenho alturas em que me sinto completamente em viagem para longe daqui onde apenas o corpo aqui permanece e a mente se desloca para lugar incerto. Na minha mente muita coisa vagueia, sem controlo, sem autorização, voa para onde o vento a resolver levar.
A minha mente acabo por a definir em três palavras: inconstante, emotiva e persistente. Inconstante por não saber onde quer estar, emotiva por sentir o que o coração vive e persistente por não desistir de se sentir clara.
Não sei, mas na noite me encontro e me entendo. No dia que voa, que corre, não há tempo. Não tempo para pensar, questionar. A noite invade a mente e toma o seu controlo como que o tempo que lhe tira de dia para se organizar, a obriga a ter de noite mergulhando num mar de emoções. É quando tudo se acalma, quando ela nos vai invadindo pouco a pouco, trazendo o silêncio e uma certa paz. Com ela pode trazer doces lembranças, árduas dúvidas, saudades sentidas ou até esperanças e vontades. Na correria do dia não há o aconchego da noite, não há a revelação de desejos, vontades, e nem há a hora dos momentos inesperados, confissões verdadeiras e sentidas. Na noite se dão as conversas sinceras, de dia as rápidas. De noite se saboreia um belo copo que seguindo-se de outros tantos trás à superfície o que o dia esconde.
A noite surge como a vencedora do dia-a-dia de plena corrida e atividade, chega cheia de emoções e sentimentos após um dia de materialismos. A mais bela noite surge escura apenas com pequenas estrelas para os olhos comtemplarem. Medos se perdem ou surgem, vontades se revelam ou se escondem, mentes fechadas se abrem, sorrisos se largam e até lágrimas surgem no calar da noite, no doce silêncio onde ninguém ouve ou sente os segredos que no dia não se questionam, que no dia permanecem como isso mesmo, apenas segredos.
O dia nos cansa, a noite nos tranquiliza. O dia nos testa, a noite nos acalma. Durante o dia sobrevives, durante a noite vives.
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Muito bom este texto! Continua miúda ;)
ResponderEliminarobrigada ! :))
EliminarEscreves tão bem, adorei este texto! Boa Rapariga continua que vais muito longe.
ResponderEliminaroh, muito obrigada mesmo ! :)
Eliminarmais um belo texto!! descreves tão bem aquilo que as pessoas sentem, pelo menos eu sinto! continuo a achar que deves escrever um livro. força :)
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