21 junho, 2014

Borboletas, borboletas e borboletas

Com o tempo é percetível que para ser feliz não é necessário, primeiramente, algo ou alguém, é necessário, sim, primeiro sermos felizes conosco. Não podemos fazer a nossa felicidade depender de um alguém ou de algo, ela tem de partir de nós, da nossa essência. Como se diz, o segredo não é correr atrás das borboletas, mas sim cuidar do jardim para que elas venham até nós. Aí está o segredo, cuidar de nós, gostar de nós, viver por nós, para nos sentirmos bem, felizes. Se mantermos a nossa vida dependente numa corrida pelas borboletas, apenas passamos por portas e janelas abertas que secretamente se fecham sem que nossos olhos ganhem perceção de tal. As borboletas não se apanham, elas surgem e, quando fogem, correr atrás delas na esperança de as apanharmos torna-se apenas um mero erro pois as borboletas são livres de si. A busca cansa, o cuidado não, tal como o suposto. Cansa a espera pelas borboletas que de todo seguiram rumo incerto porque elas é que sabem de si. No final de contas, não andar em busca das borboletas pode-nos levar a pensar que estamos a desistir de nós e de quem gostamos, mas na verdade, apenas deixamos de estar à procura de quem não surge diante de nós, e encontrar quem nos estava procurando debaixo dos nossos olhos. Não procuremos um alguém, aquele alguém, deixemos que o alguém nos procure. Não se corre atrás das borboletas, se forem as borboletas desse jardim que cuidas, elas vêm. Cuida de ti que o que te pertence virá, mas não esperes, vive.

15 junho, 2014

Inconstância

Cada vez que te ouço meu cérebro baralha, 
Penso eu "como se contradiz". 
Fico numa inconstante batalha, 
Entre o que faz e diz. 

Não sei se agir é correto, 
Nem mesmo falar, 
Talvez o mais certo 
Seja mesmo ignorar. 

Por entre palavras e atos, 
Proximidades e distâncias, 
Não sei, serão apenas momentos chatos, 
Ou difíceis inconstâncias ? 

14 junho, 2014

Matemática, apenas matemática

A vida é como matemática. A gente conta momentos, gestos, atitudes. Conta palavras, memórias, lágrimas. Tudo simples matemática. A gente subtrai, soma, multiplica e divide. Complica nas incógnitas, questiona nas dúvidas. Divide momentos, multiplica memórias. Matemática, pura matemática. A gente conta meses, noites, dias. Conta anos, dinheiro, tempo. Na ânsia, na espera. 
Porque a vida é matemática, o que escorregou das mãos não prende mais. O que a gente subtrai numa equação, soma noutra mais à frente. O que a gente não sente em nada complica a matemática vivida, e o que a gente sente resolve o modo como a equação é acabada. Eu conto, contei e continuarei a contar a matemática da vida, porque como a matemática, a vida não se questiona, resolve-se, vive-se. 

08 junho, 2014

Não

Não digas se não queres que ouça. 
Não perguntes se não queres que responda. 
Não procures se não queres que encontre. 
Não faças se não queres que corresponda. 
Não venhas se não queres ficar. 
Não fugas se queres voltar. 
Não queiras se queres não querer. 
Não te prendas se tencionas libertar-te. 
Não ajas se não é isso que queres, e se for, age sem muito questionar.